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Boom imobiliário de logística

Novos projetos de armazéns e centros de distribuição agitam o setor de construção

Boom imobiliário de logísticaO aquecimento do setor de construção civil também esquentou os negócios do ramo de empreendimentos imobiliários para o segmento de logística. No primeiro trimestre desse ano, o PIB da construção no Brasil cresceu 8,8%, mais do que o da indústria, que foi de 6,9%. A projeção é um crescimento de 10% do setor da construção civil brasileira no fechamento do ano de 2008. No caso do mercado imobiliário de logística, vários fatores contribuem para um quadro otimista, como o crescimento do comércio, da indústria e do agronegócio com a produção de etanol e biodiesel, além da busca por investimentos que proporcionem economia no gerenciamento dos negócios em geral.

Capital da logística

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) é bastante valorizada na área logística, pela interligação com o modal aéreo através de Viracopos, o maior aeroporto de cargas da América do Sul e pelo sistema rodoviário, onde passam as maiores estradas do Estado de São Paulo: Anhanguera, Bandeirantes, Dom Pedro I e Santos Dumont, que garante o acesso a todas as regiões do país. Com a finalização das obras do Rodoanel, prevista para 2009, o tráfego para o Porto de Santos vai ser feito através de rodovias de alta velocidade, sem a necessidade de enfrentar engarrafamentos na cidade de São Paulo. Os produtos vindos do interior do Brasil passam por Campinas, que é um tradicional ponto de passagem e que foi fundada como uma parada de tropeiros no antigo caminho de Goiás.
Os problemas com a superlotação de veículos na cidade de São Paulo, com as proibições, os sistemas de rodízio e ameaça de multas, estão fazendo com que as empresas construam armazéns e centros de distribuição longe da Grande São Paulo. As maiores lojas do Brasil já construíram seus centros de distribuição ao longo do sistema Anhanguera-Bandeirantes, como as Casas Bahia e a Magazine Luiza. Em Junho, a Votorantim Cimentos inaugurou um Centro de Distribuição, em Campinas, próximo da rodovia dos Bandeirantes e Santos Dumont. O novo CD faz o acesso de mercadorias para 50 cidades e recebeu investimento de R$ 6 milhões.
Em agosto, a empresa Linde, que produz gases industriais e medicinais, inaugurou o Centro de Operações em Jundiaí. O novo local centraliza as operações de gerência e controle das 47 fábricas e faz o planejamento da distribuição para cerca de 10 países da América do Sul. Na divisão de Gases Industriais, a empresa atende 10 mil clientes através de 24 unidades comerciais. O Centro de Operações da Linde na América do Sul foi construído com tecnologia moderna para o gerenciamento de ponta a ponta de todas as operações das fábricas da Linde presentes na América do Sul, desde o controle de processos de distribuição até a consolidação de dados. A Linde AG tem sede na Alemanha e opera em mais de 100 países. No Brasil, a empresa adquiriu a marca AGA em 2000.
A CB Richard Ellis, que faz serviços de consultoria para imobiliárias, calcula que existe uma área de 2,4 milhões de metros quadrados, em cerca de 50 condomínios logísticos, que estão disponíveis para locação na região entre a Grande São Paulo e Grande Campinas. Já as construtoras, enxergam a região de Campinas como a “bola da vez” no setor de projetos imobiliários e empresários de vários setores planejam investir em condomínios logísticos, de olho no crescimento da demanda.
O empresário Laércio Mazon, proprietário do Grupo Santa Cruz Transportes, está diversificando a área de atuação. Para aproveitar alguns terrenos que foram adquiridos ao longo dos anos, como garagens de empresas que foram compradas, o empresário planeja aproveitar as áreas que já tem localização privilegiada, ao lado de rodovias e investir na construção de armazéns para locação.
O principal empreendimento é um projeto em um terreno estratégico para a logística, próximo do cruzamento da rodovia Anhanguera e Dom Pedro I, em Campinas e a poucos metros do Terminal Intermodal de Cargas e do condomínio de empresas Technopark. “A idéia é fazer um espaço para armazenamento, com locação temporária por um período de 10 anos, nesse terreno de 20 mil metros quadrados. Temos estudos de projeções de crescimento de negócios nessa área até 2017 e vamos ampliar nosso leque de serviços”, disse Mazon.
Marcos Figueiredo O engenheiro civil, Marcos Figueredo, é o responsável pela execução da obra do projeto chamado Multipart. “É um projeto específico, especial para a área de transporte e logística, com detalhes para os acessos e para a segurança. A segurança e a localização são os primeiros itens para empreendimentos logísticos”, afirmou Figueiredo. Depois do planejamento, o prazo do começo da obra até a entrega do armazém é de 10 meses, segundo o engenheiro. A velocidade na execução de projetos logísticos é outro atrativo para os investimentos na construção civil e proporcionam um prazo curto para o retorno financeiro.
Para atender a demanda de projetos logísticos na região de Campinas, o engenheiro Figueiredo criou em sua em empresa, a MFiguer, uma equipe de profissionais para fazer estudos específicos, de acordo com a necessidade do cliente, para armazenagens dos mais variados produtos, como os eletrônicos e alimentos perecíveis, que necessitam de condições controladas de temperatura e umidade.
 

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