| Estruturas gigantes para um país gigante |
|
Governo investe bilhões em infra-estrutura no setor de transportes. Esta ação beneficiará as empresas de Comex e logística em um futuro próximo, especialmente no estado de São Paulo “Caminhão rumo ao Porto de Santos parado em uma das marginais da cidade de São Paulo é gasto desnecessário e sinônimo de prejuízo”. A descrição desta cena cotidiana vem das palavras do secretário estadual dos Transportes do Estado de São Paulo, Mauro Arce, em uma entrevista realizada em seu gabinete na própria secretaria, quando abordado sobre o tema infra-estrutura no setor de transportes. Realmente, uma das principais preocupações de quem está transportando uma carga é fazer com que ela chegue ao destino planejado sem maiores custos, desvios e principalmente em um curto espaço de tempo. Mas este problema citado pelo secretário está com os dias contados, pelo menos,, uma parte dele está. O Rodoanel Mário Covas, maior obra rodoviária da América Latina, que nasceu com o objetivo de desafogar o tumultuado trânsito de São Paulo, já tem data para entrar em ação e fazer a cidade andar. De acordo com Arce, a expectativa é que com o Rodoanel, o trânsito nas marginais sofra uma redução de até 40% em relação aos mais de 100 mil caminhões que cortam a metrópole diariamente. “Muito dos caminhões que entram na cidade são para abastecimento da própria população, por isso é óbvio que ainda haverá nas vias veículos de grande porte. Ainda assim, mudanças históricas acontecerão com a finalização do projeto, pois o empreendimento circunda a cidade, dando acesso às principais rodovias do estado, facilitando para aqueles que estão apenas de passagem por São Paulo, rumo ao litoral ou interior”, explica. A idéia da construção do empreendimento é antiga. Há cerca de 50 anos, o esboço de anel rodoviário acabou dando origem às Avenidas Marginais do Tietê e do Pinheiros. Trinta anos depois, com essas duas vias totalmente congestionadas, começaram a ser construídos o Minianel Viário e o Anel Metropolitano. O plano resultou nas avenidas Jacu-Pêssego e Eduardo Ramos Esquivel. As duas estradas, porém, logo perderam a característica de vias expressas, em função da descontinuidade das obras. Em 1992, foi apresentado um novo projeto com rota similar à do Rodoanel Mário Covas. Esse mesmo traçado, com a modificação do Trecho Norte, que passava por trás da Serra da Cantareira, saiu do papel e virou obra no final de 1998, por iniciativa de Mário Covas e, teve sua inauguração em outubro de 2002. A obra ficou parada ao começar a construção do trecho sul devido a complicações do ponto de vista ambiental e social, pois existiam dois reservatórios de água na região e uma área ocupada irregularmente. “Os impedimentos para a finalização do trecho sul consumiram um tempo grande. Tivemos que obter licenciamento ambiental e deslocar para outro lugar as famílias que estavam na região”, explica. A mega obra é um dos principais investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e, sua antecipação (a obra que era para ser concluída em 48 meses será finalizada em 35), permitiu com que o governador do estado fornecesse hora e data para finalizar. “A previsão é que a obra seja finalizada no final de 2009, mas para efeitos de inauguração marcamos o término para 27 de março de 2010 às 11h45”, revela o secretário. Para a aceleração da obra, está sendo investido somente no trecho sul cerca de R$ 4,2 bilhões de reais, dinheiro distribuído no salário de 11 mil colaboradores que revezam três turnos de trabalho, na produção de 600 mil metros cúbicos de concreto e na compra e fabricação (há fábricas de materiais dentro dos próprios canteiros de obras) de 4,4 milhões de sacos de cimentos e 42 milhões de toneladas de aço. O dinheiro, de acordo com o secretário, é proveniente de concessões de estradas e da venda da folha de pagamento de funcionários públicos. “Além de prover melhorias no trânsito da cidade de São Paulo e na logística do país, a obra do Rodoanel está gerando empregos diretos e indiretos e, contribuindo para que seja amenizada a crise em alguns setores, como o da construção civil”, comenta. O custo total do projeto deverá ser algo em torno de R$ 20 bilhões de reais, com a conclusão dos trechos Sul, Leste (será licitado em 2009) e Norte, que deve ser entregue em 2014. Em dia com o meio ambiente, a finalização da obra prevê o replantio de 1.060 hectares de árvores para compensar os 512 que foram necessários para realizar o empreendimento. Outros meios, novos modais Para o secretário Mauro Arce, não basta investir apenas em estradas, tem que investir também em novos modais, novos meios de transportar os produtos para ganhar tempo, competitividade e economia. Segundo ele, o governo está fazendo sua parte neste processo, com projetos direcionados não só para construção e renovação das estradas, mas também para os setores portuários, ferroviários, aeroviários e dutoviários. A previsão de investimentos está na ordem de R$ 12 bilhões de reais, voltados exclusivamente para a infra-estrutura do setor de transportes do Brasil. “Hoje a empresa tem que pensar no que é melhor para o produto na hora de transportá-lo, analisando distância, modal e economia. Por exemplo, é mais interessante transportar produtos químicos de carga perigosa por meio de dutovias, ao invés de transportá-los pela estrada”, analisa. “Um outro excelente modal é o ferroviário, que traz ganhos nas áreas de economia, segurança e meio ambiente. É preciso pensar mais em estradas para o transporte de passageiros e trazer novas soluções para o transporte das mercadorias”, conclui. Privatização dos Aeroportos No setor aéreo, o secretário revelou que existe a intenção de privatizar os aeroportos de Viracopos e Galeão. “A concessão dá agilidade na administração destes empreendimentos, pois como não existe processo de licitação um problema pode ser resolvido de forma mais rápida. Certa vez, estava no aeroporto de Porto Seguro, que funciona sob concessão, e havia apenas um carro de bombeiros para receber um boeing. A lei prevê dois. Imediatamente foi comprado um novo carro para receber o avião. Se a cena acontecesse em um aeroporto público, teríamos que abrir uma licitação e a ação demoraria”, exemplifica. Questionado sobre o potencial cargueiro do aeroporto de Ribeirão Preto, o secretário afirma que atualmente todos os investimentos deste empreendimento são voltados para o setor de passageiros, mas não retira esta possibilidade. “Precisamos estudar com cautela todos os projetos que nos são apresentados. Acontece que muitas vezes, as empresas desenvolvem trabalhos brilhantes, nos apresentam e, quando investimos, a empresa simplesmente não cumpre seu papel. Por enquanto é interessante deixar a vocação cargueira para aeroportos como o de Viracopos. Ainda assim é um caso a ser estudado”, revela. Campinas e a vocação logística Rodovias de alta velocidade, aeroporto cargueiro, proximidade com o Porto de Santos e as principais multinacionais do país instaladas em sua região, faz da Região Metropolitana de Campinas, uma referência na área de Comércio Exterior e Logística. Por isso os investimentos nesta área não param! Dois grandes projetos de infra-estrutura logística foram divulgados no último Simpósio Scala pelo prefeito de Campinas dr. Hélio de Oliveira: o Trem de Alta Velocidade (TAV), que interligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, e a expansão do Aeroporto Internacional de Viracopos. “O aeroporto e o trem oferecerão condições de fomento de tecnologias para os próximos anos”, afirmou no evento. A proposta do projeto para disponibilizar o trem bala já foi apresentada na prefeitura municipal de Campinas junto ao prefeito e, em Brasília. A previsão é que em fevereiro de 2009 seja realizada uma licitação com 28 dos maiores fabricantes mundiais de trens de alta velocidade, entre eles fabricantes espanhois, sul-coreanos, italianos, franceses, alemães e japoneses, que terão a oportunidade de apresentar suas propostas. Um dos projetos preliminares prevê cinco tipos de operações diferenciadas nas paradas do trem que circulará com velocidade de até 320km/h. A previsão é que três linhas expressas saiam de Campinas, duas delas, com paradas no aeroporto de Viracopos. Já o plano de expansão do Aeroporto Internacional de Viracopos, tem como objetivo transformá-lo no principal centro cargueiro da América Latina. De acordo com a Infraero, este empreendimento é considerado o mais adequado espaço para proporcionar o crescimento do setor aéreo no Brasil e atender de forma eficaz o aumento da demanda de passageiros e aeronaves em médio prazo. O plano de expansão prevê três fases sendo elas: A desapropriação das áreas entorno do aeroporto e ampliação do sistema de terminal de passageiros, no primeiro momento; a construção de hangares de manutenção de aeronaves e acessos subterrâneos para as salas de embarque, em um segundo momento e que tem previsão de ser concluída em 2020 e, por fim, a expansão que promete fazer de Viracopos um dos mais modernos e estruturados aeroportos da América Latina com a implantação da terceira pista para pousos e decolagens. |
